

A pesquisa poética da matéria e do gesto.
A Artista e a Pesquisa Poética
Sou natural do Rio de Janeiro, advogada por profissão e artista visual por vocação. Após uma cirurgia cardíaca, retomei a pintura e passei a me dedicar também às exposições, iniciando uma nova etapa da minha trajetória artística. Essa experiência ampliou meu olhar para as nuances do corpo, dos sentimentos, das cores, dos gestos e das relações que se estabelecem entre eles, despertando em mim um interesse cada vez maior por aquilo que se revela para além do visível.
Minha pintura nasce do desejo de dar forma ao que nem sempre encontro palavras para dizer. Transito entre a figuração e a abstração, explorando a cor, o contraste, a matéria e o gesto como elementos de construção de sentido e de expressão. Mulheres, mãos, cavalos, paisagens, flores e outros elementos surgem como imagens concretas, carregadas de significados que ultrapassam sua representação.
Interessa-me aquilo que existe por trás da imagem: uma sensação, uma lembrança, uma tensão, um movimento, um instante que permanece mesmo depois de passar. O gesto ocupa um lugar particular nessa pesquisa, tanto como presença do corpo representado quanto como movimento inscrito na própria matéria da pintura.
Pintar, para mim, é uma forma de observar com mais atenção, investigar a experiência e transformá-la em presença. É encontrar, na própria matéria da pintura, um espaço onde pensamento e sentimento possam coexistir. Minha pesquisa poética se desenvolve nesse movimento de perceber, elaborar e devolver ao mundo, por meio da pintura, algo que nasce de uma experiência pessoal e encontra no olhar do outro novas possibilidades de sentido.
Priscila Ramires, Artista Visual












Séries de Obras Recentes
Esta seleção reúne trabalhos que acompanham o desenvolvimento da minha pesquisa poética e formal nos últimos anos. São pinturas que revelam mudanças de escala, matéria, cor e construção da imagem, mas também a permanência de questões que atravessam meu trabalho: o corpo, o gesto, a paisagem, a passagem do tempo e aquilo que permanece de uma experiência.
Inspiração para as Obras
Encontro inspiração naquilo que carrega presença: a paisagem, o corpo humano, a passagem da luz sobre as coisas e, sobretudo, os pequenos gestos que muitas vezes passam despercebidos.
Tenho particular interesse pelas mãos. Elas dizem muito sem precisar de palavras. Seguram, oferecem, protegem, deixam ir, apontam, tocam. Um gesto das mãos pode revelar uma intenção, uma relação ou um estado que o rosto nem sempre revela. É essa possibilidade de contar sem explicar que me atrai.
Nas paisagens, encontro outra forma de silêncio. O céu, a luz, a vegetação e o horizonte despertam em mim sensações que procuro traduzir pela cor e pela matéria. No corpo, observo movimento, delicadeza, tensão e pausa.
São essas nuances que me interessam: aquilo que acontece entre o gesto e o significado, entre o que se vê e o que se sente. É nesse espaço que encontro matéria para pintar.